terça-feira, 23 de setembro de 2008

ARTIGO: O DEVIR EM ÉDIPO-REI

O DEVIR EM ÉDIPO-REI
WILTON FRED CARDOSO DE OLIVEIRA

I N T R O D U Ç ÃO

A imaginação não é, como sugere a etimologia, a faculdade de forma imagens da realidade; ela é a faculdade de formar imagens que ultrapassam a realidade, que cantam a realidade. É uma faculdade de sobre-humanidade."

(p.XVI - O Direito de Sonhar)


Ao tomarmos a visão de Bachelard sobre a imaginação e sobre a arte, nela vemos o lastro de que necessitamos para iniciarmos o nosso trabalho.

Bachelard, ao dizer que a imaginação é um ato de sobre-humanidade, coloca a obra de Arte num plano inverso ao platônico. Ela passa a ser não mais a criação da criação, algo inferior por se tratar da recriação do Sensível, mas um acontecimento do Lógos. E se assim o é, é fruto da razão en-quanto primeira substância ou causa do mundo, é divina, consoante Heráclito. ( 2 p.601 Abbagnano)

Partindo-se desse pressuposto, a obra Edipo-Rei de Sófocles, antes de ser mero retrato da realidade sensível, é um lógos que encerra em si a problemática grega do DE-VIR, mudança que vai do Nada ao Ser e deste ao Nada. Sófocles, nesta obra, em 430 a.C, já consegue conciliar o problema posto por Heráclito de Éfeso (549? -475?) de que todas as coisas estão em constante mudança e movimento, bem como de Parmênides (515/510 - 435?) de que todas as coisas são imóveis e ingênitas. Ele antecipa a solução que Platão (429/427 - 348/347) conseguirá levar a cabo com a teoria do Mundo das Idéias e do Mundo Sensível, quase meio século depois.

Leia a versão integral do artigo.


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